Porquê este desânimo, este abandono de mim próprio enquanto o relógio continua a marcar o seu passo, o seu tempo contínuamente e o motor ronca e acelera? Terei desistido de mim próprio, ou a minha força só aparece em momentos de fúria e inconformidade e penso que ela é real, constante e contínua?
Nalguns momentos de clareza, consigo ver o Todo e a linha (in)visível que nos une a todos nós sencientes, mas é tão raro e lamentavelmente diminuído o tempo de clareza desta grande contínua continuidade...
Se ao menos um murro no focinho me fizesse sair desta solitude e quietude, me fizesse voltar para fora, para o externo, para a rua, para a auto-estrada e rever-me lá, mas está provado que não. Mesmo sendo o parente mais afastado de mim, mesmo o tempo não parando de marcar o seu passo ao seu ritmo, mesmo sabendo-me crente de todos os foguetes que estoiram e ecoam dentro de mim... há esta parede invisivel, ténue, densa e já habitual que me separa de todos os outros e dos que até vivem e conduzem no meu interior...
Nestas linhas que se atropelam umas ás outras com urgência e sofreguidão, as palavras descontínuas e as contínuas e as sem tino nenhum deixam transparecer, mais uma vez, o abandono dos meus parentes afastados...

Sem comentários:
Enviar um comentário