Meu anjo tem asas negras e cabelos de nuvens,
Ora de sol radiante e calorosa, ora de chuva e tempestade fria.
Meu anjo sorri como um bébé e explode como um
Trovão no mais curto espaço de tempo.
Meu anjo põe o dedo nas feridas
Carrega e faz doer até sangrar.
Meu anjo chupa-me o sangue salgado
E o transforma em doce veneno
E sorri de delicia e carícia saciada,
Beija-me louca e rasga-me a roupa
E me acolhe no caos silencioso da madrugada.
Meu anjo já voou no inferno e no céu
E nenhum deles escolheu como casa.
Meu anjo deixa-me respirar um pouco
Enquanto me dilacera do corpo até alma.
Enquanto me cobre com sua asa
Meu anjo de asas negras
Dá-me de beber de sua boca
Conta-me e ordena-me os pensamentos
Afoga-me no abismo e trás-me á tona
Grita-me no seu silêncio e só com o olhar
Comunica no meu idioma...
Meu anjo deixa-se entrar por mim e
Entra em mim, mesmo sem corpo
Obriga-me e abriga-me
Em prosa, música e verso
Dá-me dor e amor e sorri
Meu anjo é doce e terno
E é um demónio de cura e loucura
È alma morada do Universo.

Sem comentários:
Enviar um comentário